quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A Lei do Anulamento do Produto e a vida…


Querem ver como a Matemática é bem "viva" e nos ajuda a sermos organizados, eficazes e hábeis no dia-a-dia?


 

Suponhamos a seguinte equação: 2x2 – 4x = -2. Como é que a podemos resolver rapidamente (e bem)? Vamos por partes, para ser mais fácil a resolução:


 

1º Devo olhar atentamente a equação e reflectir. Na vida, também precisamos de ver bem os problemas e pensar na melhor forma de os resolver, "descomplexando-os"…


 

2º Vou "arrumar" a equação, pondo-a na "forma canónica", isto é "organizada": 2x2 – 4x +2 =0. Também na vida precisamos de ser "arrumados", "organizados", colocando as coisas no devido lugar. Além de encontrarmos mais facilmente o que queremos, poupamos muito tempo, não é verdade?


 

3º A minha grande tentação, sobretudo a partir do 9º ano, é resolver a equação através da fórmula resolvente. É uma fórmula "mágica" que tudo resolve, mas… demoramos muito tempo e quantas vezes não nos enganamos nos sinais? Ou seja, parece fácil, mas pode acabar por nos complicar a vida…

Também na vida devemos fugir às tentações do "facilitismo", pois normalmente complicamos as coisas…


 

4º Aparentemente, não podemos resolver a equação através da Lei do Anulamento do Produto (LAP). Mas… será que… e se dividirmos todos os termos por 2, uma vez que os coeficientes são pares? Passamos a obter x2 – 2x +1 =0, não é verdade? Oh, estamos perante um "caso notável" bem conhecido! É mesmo! Fantástico!

Também na vida nem sempre aquilo que parece é! Por detrás das evidências, quantas vezes não se escondem armadilhas que só nos escravizam? Ou, ao invés, quantos tesouros não existem, que nos tornam a vida mais agradável? Ou seja, temos de ter espírito crítico e não ficarmos na superficialidade, mas irmos até à essência das coisas. SER, sim, Parecer, não!


 

5º E agora? Vai ser fácil e rápida a resolução, não é verdade? (x -1)2 = 0, ou seja, (x-1)(x-1) = 0, ou seja, x – 1 = 0, ou seja, x=1.

É esta a eficiência que necessitamos na vida: resolver bem um problema, no mais curto espaço de tempo (porque o tempo é preciosíssimo!).


 

6º Por acaso, a solução é única e positiva (+1). Mas a maioria das equações do 2º grau tem duas soluções, sendo, por vezes, uma delas ou as duas "negativas".

Também na vida nem sempre há uma só solução para os problemas. E quantas vezes a solução não é "negativa", isto é, exigindo esforço, trabalho, sofrimento?


 

7º Pronto. Resolvi a equação, isto é, encontrei a solução. Que maravilha!

Tal como na Matemática, também na vida ficamos alegres quando – com o nosso esforço, reflexão, estudo, organização, sentido crítico, eficiência – ultrapassamos positivamente as dificuldades, as crises, as indecisões.


 

E, como vimos, a Matemática, designadamente a LAP, pode contribuir para aprendermos a gerir melhor a vida e usufruirmos equilibradamente das suas belezas.


 

Prof. Jorge Cotovio, do Colégio São Teotónio, onde passei 3 anos do secundário fantásticos e que influenciaram decisivamente a minha vida!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Amazónia internacionalizada



Discurso do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA...




Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).


Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque:


"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro! O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa.

Só nossa!"


Este discurso não foi publicado... porque foi CENSURADO pelo governo Americano!!